Por que a Samsung está enfrentando uma fase conturbada?

 As vendas de smartphones estão indo muito bem no mundo todo, obrigado. De acordo com o instituto de pesquisa Digitimes Research, o volume deve alcançar 1,2 bilhão de unidades neste ano, o que representa um crescimento de 30% em relação ao ano anterior. No ano que vem a alta continua, e o volume total de aparelhos vendidos pode alcançar 1,48 bilhão.

 Porém, nem todo mundo está comemorando, como é o caso da Samsung. O Galaxy S5, atual aparelho top de linha da empresa, não está vendendo tanto quanto o esperado: de acordo com o The Wall Street Journal, a empresa coreana vendeu 40% menos do que foi projetado.


A mudança que não veio

 Segundo a publicação, o Galaxy S5 teria vendido "apenas" 12 milhões de unidades – um número bastante robusto – mas inferior ao alcançado pelo Galaxy S4, que conseguiu vender 16 milhões de unidades no mesmo período, ou seja, quatro milhões a mais.

 Em quase todos mercados em que a Samsung atua, o dispositivo perdeu espaço. O único lugar do mundo em que as vendas do smartphone cresceram foi nos Estados Unidos. Embora o mercado americano seja importante para o faturamento, a luz amarela de alerta já ascendeu no QG da empresa.

 Analistas apontam a falta de mudanças significativas no dispositivo para o seu baixo desempenho. Antes de lançar o seu top de linha para 2014, a Samsung tinha dito que o GS5 seria um smartphone completamente repensado e simplificado. Claramente, isso não foi cumprido e, ao que parece, a Samsung está sendo afetada por essas escolhas.

Um tombo nas receitas

 Além do desempenho fraco de vendas, a divisão móvel da Samsung apresentou resultados financeiros piores do que o esperado com relação aos lucros e receitas. Comparando o último trimestre fiscal deste ano com o mesmo período de 2013, a empresa registrou ganhos 60% menores.

 É claro que isso nem de perto significa que a Samsung deixou de lucrar, já que, mesmo com a redução, os ganhos foram astronômicos. Porém, os resultados surpreenderam os investidores, e a palavra “crise” já começou a ser proferida pelos mais pessimistas.


Dança das cadeiras

 Os resultados negativos já fizeram uma vítima: J.K. Shin (foto acima), presidente da divisão mobile da Samsung. Shin costuma revelar os novos produtos da empresa durante os eventos de lançamento, mas parece que seu tempo de apresentador se encerrou, de acordo com o Wall Street Journal.

 Segundo a publicação, ele será substituído por B.K. Yoon, atual presidente da divisão de televisores da companhia. Além disso, Shin não deve ser movido para nenhum outro cargo, perdendo um posto de comando na Samsung. Outros executivos também estão sendo remanejados, como parte de uma reestruturação da divisão.

Crise? Que crise?

 Vale lembrar mais uma vez que a Samsung não está perdendo dinheiro. Mesmo com os números abaixo do esperado, a empresa continua lucrando e sendo uma potência: em 2013, suas receitas foram de US$ 327 bilhões e os lucros de US$ 70 bilhões.

 Ela sozinha é responsável por 17% do PIB da Coréia do Sul, além de deter uma fatia de 31% das vendas mundiais de smartphones. Além disso, a Samsung é um conglomerado que vende produtos tão diversos quanto smartphones, telas, impressoras, geladeiras, máquinas de lavar, além de construir navios, refinarias, containers e gerenciar hospitais e até hotéis e resorts.

 Obviamente, isso não é motivo para os executivos não estarem preocupados com a divisão mobile, já que as vendas desabaram significativamente, e mudanças precisam ser feitas. Portanto, além das alterações no comando, a empresa pretende fazer outras alterações para manter-se na liderança da venda de smartphones.


Concorrência forte

 Por muito tempo a Samsung investiu pesado em um extenso portfólio de produtos para agradar os mais diversos segmentos de clientes. A estratégia provou-se um sucesso durante todos anos, mas claramente os tempos são outros e os clientes já não se satisfazem apenas com a marca.

 Os lucros da divisão mobile foram reduzidos em larga escala e isso foi motivado principalmente pelo crescimento de outros concorrentes, que abocanharam fatias de mercado antes dominadas fortemente pela Samsung.

 O Moto G é um bom exemplo para ilustrar a situação. O dispositivo da Motorola foi lançado por um preço baixo, considerando tudo o que ele oferece, e oferecendo um excelente custo-benefício. Resultado: o dispositivo foi um estrondoso sucesso de vendas. Enquanto isso, a Samsung oferecia aparelhos menos potentes na mesma faixa de preço.

E os chineses vêm aí

 E não são apenas as empresas tradicionais que ameaçam a Samsung. As companhias chinesas também estão entrando na briga para valer. Embora a liderança nas vendas mundiais de smartphones estejam na mão da Samsung, Apple e LG, três empresas com origem na China já estão posicionadas logo atrás: Huawei, Xiaomi e Lenovo, de acordo com dados da Digitimes Research.

 Outra empresa que vem ganhando destaque é a Taiwanesa Asus, que lançou por aqui o ZenFone 5 e 6 por um preço bastante acessível, ótimo design e acabamento e hardware potente (O Zenfone 5 por R$ 599, e o Zenfone 6 por R$ 699).

Botando ordem na casa

 A Samsung se acomodou na liderança e isso é visível, e por isso está sendo obrigada a se mexer. Mesmo que a empresa tenha lançado uma extensa linha de aparelhos variados, todos eles são muito parecidos entre si, e geralmente apresentam apenas pequenas alterações no hardware para diferenciá-los.

 A própria Samsung sabe disso e essa foi a razão pela qual a empresa resolveu reduzir o número de aparelhos disponíveis no mercado. A partir do ano que vem, a fabricante irá cortar um terço dos seus modelos com o intuito de diminuir 30% dos custos de produção dos aparelhos.

Projeção do Galaxy S6

Galaxy 6, mas pode chamar de Project 0

 Outra mudança significativa será feita no próximo dispositivo top de linha da empresa. Depois do relativo fracasso do Galaxy S5, o Galaxy S6 deve, finalmente, receber mudanças significativas. Segundo a Sam Mobile, o aparelho já está em desenvolvimento, e atende pelo codinome “Project Zero”.

 Ainda segundo o site, a ideia é mesmo "desenvolver o próximo flagship da nova geração do início, com uma visão inteiramente diferente". Não dá para ter certeza do que isso significa, mas é fato que mudanças significativas serão feitas no novo modelo.

Novos tempos

 Ciente de seus problemas, a Samsung já começou a fazer movimentos importantes para dar uma nova vida ao seu portfólio. Além da redução da quantidade de aparelhos, e de um novo começo para a linha galaxy S, os demais dispositivos estão ficando cada vez mais robustos.

 A prova disso é o novo Galaxy Gran Prime, um aparelho intermediário que oferece acabamento em metal e um ótimo desempenho, superando o novo moto G em diversos testes, e que custa quase o mesmo que o dispositivo da Motorola.

 A empresa tem um grande potencial e caixa para sacudir a poeira e dar a volta na situação, desde que tome as decisões certas. As mais recentes alterações indicam que ela está fazendo boas escolhas, mas só o tempo confirmará.

Fonte(s)

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